A repetição exaustiva de um discurso amplificado por setores da mídia
Desde os eventos do dia 8 de janeiro, assistimos a uma
narrativa insistente e monolítica da esquerda, que tenta consolidar a ideia de
que se tratou de uma "tentativa de golpe" orquestrada por forças
antidemocráticas. A repetição exaustiva desse discurso, amplificada por setores
da mídia e por figuras governistas, mais parece uma estratégia para blindar o
governo e silenciar opositores do que um real compromisso com a verdade e a
justiça.
Ninguém nega que houve desordem e vandalismo em Brasília
naquela data. No entanto, o tratamento dispensado aos envolvidos tem revelado
um viés preocupante. Enquanto a esquerda relativiza crimes cometidos por seus
próprios militantes em episódios passados – como depredações durante
manifestações e ocupações violentas – a resposta estatal ao 8 de janeiro foi
severa e muitas vezes desproporcional. Pessoas presas por meses sem julgamento
adequado e sem direito a defesa eficaz contrastam com a impunidade observada em
outros contextos políticos.
Além disso, a tentativa de transformar o episódio em um marco
de suposta ameaça golpista tem servido a um propósito muito claro: reforçar a
narrativa de que qualquer oposição ao governo atual deve ser tratada como
perigosa e antidemocrática. Com isso, se busca justificar medidas autoritárias,
censura disfarçada de regulação e uma vigilância constante sobre aqueles que
ousam questionar os rumos do país.
Se o Brasil deseja realmente fortalecer sua democracia, é
fundamental que os eventos do 8 de janeiro sejam analisados com isenção e
responsabilidade, e não utilizados como um pretexto para sufocar divergências
legítimas. A seletividade da indignação e da aplicação da lei é um perigo maior
para a democracia do que qualquer protesto, por mais radical que seja.
Por: Inova News/Natan Tavares
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